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  • Luciana Scapin

REPRESENTATIVIDADE NA 7ª ARTE

No último dia 25, aconteceu a 93ª cerimônia da premiação mais importante do cinema: o Oscar 2021. A premiação deste ano foi marcada por “primeiras vezes”, com indicações e premiações inéditas para grupos pouco representados, como mulheres, negros, asiáticos e PCDs. Será que as escolhas da Academia finalmente começaram a refletir as diversidades de nossa sociedade?



Infelizmente parece que foi só a partir de uma crise global como essa que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas conseguiu abrir espaço para reconhecer a diversidade como regra e não exceção. Com a pandemia de COVID-19 em curso pelo mundo, grandes estúdios tiveram que adiar o lançamento de suas apostas cinematográficas, dando espaço a produções independentes e visibilidade a filmes que normalmente ficariam fora do circuito mais comercial, obras essas que são caracterizadas exatamente pela preocupação em dar voz às diferenças presentes em nossa sociedade.


Primeira vez com duas mulheres entre os indicados à Melhor Direção


Sem dúvidas, Nomadland, de Chloé Zhao, foi o grande protagonista do 93º Oscar, premiado por 3 das principais categorias: Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz, para a interpretação de Frances McDormand. “Nomadland” nos leva a refletir sobre a crise habitacional no mundo e sobre o direito à moradia, com a presença de nômades reais no cast da obra.


Chloé Zhao é chinesa e a primeira mulher não branca a levar a estatueta de Melhor Direção. É a primeira vez também que duas mulheres concorrem a categoria: Emerald Fennell também estava concorrendo por sua obra “Bela Vingança”. Curioso é que essa foi apenas a segunda vez que não foi um homem o vencedor dessa categoria.


Primeiro longa totalmente produzido por negros a ser indicado a Melhor Filme


A representatividade negra foi considerável na 93º edição do Oscar, com filmes com protagonistas negros recebendo 19 indicações e levando 8 estatuetas das 23 categorias totais. Dos filmes indicados, 7 contavam com o protagonismo preto, com destaque para os vencedores Dois Estanhos, produção da Netflix sobre sobre a violência de policiais brancos contra homens negros, vencedora como Melhor Curta-Metragem, A Voz Suprema do Blues, ambientada na Chicago da década de 1920 para contar a história da “mãe do blues” Ma Rainey, que ganhou Melhor Figurino e Melhor Maquiagem e Penteado (Mia Neal e Jamika Wilson foram as primeiras mulheres negras indicadas e vencedoras dessa categoria), além da indicação para Melhor Atriz e Melhor Ator para Viola Davis e Chadwick Boseman respectivamente, e Soul, como Melhor Animação e Melhor Trilha Sonora Original.


Entre os filmes com protagonismo negro, sem dúvidas Judas e o Messias Negro, de Shaka King, foi o que fez mais história: primeiro longa totalmente produzido por negros a ser indicado a Melhor Filme, a obra concorreu em grandes categorias, inclusive com dois atores negors indicados, pela primeira vez na premiação, à Melhor Ator Coadjuvante, com vitória para Daniel Kaluuya. Kaluuya interpreta Fred Hampton, líder do Partido dos Panteras Negras na década de 1970, que foi espionado por Bill O’Neal (Lakeith Stanfield), militante negro infiltrado pelo FBI.


Primeira vez com indicação de três filmes sobre pessoas com deficiência


Quantos filmes você assistiu que têm personagens com deficiência que são interpretados por pessoas com deficiência? Apesar de um quarto da população mundial ter algum tipo de deficiência e ser “maior população minoritária do mundo”, pouquíssimo espaço para representatividade de PCDs é oferecido.


O Oscar 2021 contou com a presença de três filmes sobre pessoas com deficiências entre os indicados, todos eles com PCDs nos cast e na produção. São eles: O Som do Silêncio, um filme sobre um baterista com perda auditiva interpretado por Riz Ahmed (primeiro mulçumano indicado à Melhor Ator), concorreu a Melhor Filme e Melhor Roteiro Original, além de Melhor Ator Coadjuvante para Paul Raci, que é PCD, mas acabou garantindo estatuetas somente em categorias técnicas, como Melhor Montagem e Melhor Som; Crip Camp: Revolução pela Inclusão é sobre um acampamento hippie de verão para pessoas com deficiência, que ajudou a mudar os direitos civis americanos, e concorreu a Melhor Documentário; e Feeling Through, primeiro filme protagonizado por um ator surdocego (Robert Tarango), obra que concorreu a Melhor Curta-Metragem.


O futuro da premiação: Oscar 2022


Essa abertura pode ser considerada uma resposta à uma luta iniciada em 2016, pela ativista April Reign, com a pauta #OscarSoWhite (“Oscars tão branco”, em livre tradução) que falta sobre a falta de representatividade entre os indicados à premiação e os próprios membros da Academia, que a via de regra são homens brancos de meia-idade. Em 2020, a Academia incluiu 819 profissionais da indústria cinematográfica no seu júri, dos quais quase metade são mulheres, e pouco mais de ⅓ são pessoas não brancas.



A ideia é que, a partir de 2022, os filmes indicados ao Oscar apresentem maior pluralidade em sua narrativa, elenco e produtores, ampliando assim a presença de mulheres, grupos raciais ou étnicos sub-representados (como negros, asiáticos e latinos), pessoas com deficiência e LGBTQIA+. Esperamos que essa seja uma forma de ampliar a amostra de diversidade cultural e inclusão que vimos entre os indicados ao Oscar 2021.


Representatividade importa sim, e é por meio dela que conquistamos inclusão e equidade.


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